11 de outubro de 2018 WL Engenharia e Consultoria

BONS VENTOS NA BAHIA

O Estado é o segundo maior produtor do Brasil em energia eólica, setor abre oportunidades para vários ramos da Engenharia.

Aquela brisa agradável que sentimos no litoral baiano é uma mostra quase imperceptível do potencial do estado para a geração de energia eólica. Mas é preciso se deslocar até o interior para não apenas sentir, mas também enxergar a concretização desse potencial e os investimentos feitos em energia limpa e renovável. Segundo dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE), a Bahia possui hoje mais de 100 usinas eólicas em operação, com potência instalada de mais 2,5 Gigawatts (GW), totalizando cerca de R$ 9 bilhões em investimentos, distribuídos em 17 municípios.

Em termos comparativos, o Brasil tem atualmente, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), 518 usinas instaladas, gerando 13 GW. Há ainda capacidade para a construção de mais 4,87 GW no país.

A Bahia desponta no cenário nacional como o segundo maior produtor de eólica do país, atrás apenas do Rio Grande do Norte. De acordo com Laís Maciel, diretora de Desenvolvimento de Negócios da SDE, a projeção para o final de 2019 é de que a Bahia dobre o número de parques eólicos em funcionamento e seja também líder na geração desta fonte de energia, ultrapassando o Rio Grande do Norte. “Serão mais de 200 parques espalhados pelo interior do estado, onde o potencial de geração pela força dos ventos é maior.”

A justificativa para esse potencial maior no interior vem da posição geográfica da Bahia. O consultor da empresa Eolus, Rafael Valverde, especialista em diversos tipos de energia, explica que a Bahia está situada em uma região onde os ventos litorâneos não têm a mesma força presente em estados que estão mais próximos do Equador, a exemplo do Ceará ou o Rio Grande do Norte.

O consultor detalha que a Bahia, entretanto, está na chamada zona de convergência, onde ocorre exatamente a mudança das posições dessas massas de ar da atmosfera e o fenômeno acontece a uma altura estimada entre 800 m e 1,2 mil metros. “Para você ter a percepção desse efeito de vento de grande quantidade, é preciso estar em uma altura elevada no estado, o que só é identificado na região central, que favorece o aproveitamento dessas massas de ar.”

Rafael destaca ainda que, apesar de não ter a mesma intensidade do ar registrado no Rio Grande do Norte, por exemplo, essa região da Bahia tem um vento muito mais constante. “Sofremos também menos com turbulência, e temos um vento mais previsível, o que favorece a geração de energia.”

Por isso, os maiores parques eólicos do estado estão em municípios como Caetité, Campo Formoso, Sento Sé, Gentio do Ouro, Igaporã, Guanambi e Pindaí. Além disso, conforme destaca a diretora da SDE, Brotas de Macaúbas, Cafarnaum, Bonito, Brumado, Casa Nova, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Sobradinho, Xique-Xique e Dom Basílio são outras cidades que vêm despontando como novas fronteiras do desenvolvimento eólico baiano.

fonte:Revista CREA-BA V.16, N.60

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