31 de janeiro de 2019 WL Engenharia e Consultoria

REAPROVEITAR REJEITOS DA MINERAÇÃO PODERIA ACABAR COM AS BARRAGENS.

As barragens que se romperam nas regiões de Brumadinho e Mariana eram do mesmo tipo: alteamento a montante – mais barato e considerado ultrapassado pelos especialistas, pois a fundação é menos resistente porque a barragem vai crescendo em cima dos próprios rejeitos, com paredes em degraus que vão subindo para dentro. Há outros modelos considerados mais seguros: – na barragem de alteamento a jusante, a barragem cresce com degraus para fora, e isso dá mais estabilidade, permite a compactação desses degraus e a instalação de filtros e drenos, chegando a custar até três vezes mais para as companhias de mineração. “Normalmente, as barragens são construídas pelo método de montante pelo aspecto econômico. Elas são barragens que trazem muito mais risco de ruptura do que as barragens de jusante. Eu acho mesmo uma temeridade que continua a se construir barragens, porque, mesmo bem planejadas, projetadas, operadas, monitoradas, ainda assim elas contêm um risco muito grande”, afirma Maria Eugênia, professora de engenharia técnica da USP. Já no empilhamento a seco, os rejeitos passam por técnicas para a retirada da água, ficam mais sólidos e são depositados em áreas protegidas por diques. A tecnologia já avançou a ponto de criar a mineração a seco, sem uso de água e barragens. A própria Vale afirma que, no Norte do país, 80% da produção é assim. Em Minas Gerais, a companhia diz que ampliou de 20% em 2016 para 32% em 2018 o processamento a seco.
REAPROVEITAMENTO
Na UFMG, a lama da mineração é transformada em pó e depois em cimento e tijolos. Uma casa de 46 metros quadrados foi construída do piso ao teto com lama da mineração e com custo 30% menor do que o método tradicional. “Eu diria que se nós tivéssemos começado isso em 2012, em 2032 a gente teria aí só 42% dos rejeitos dentro da barragem. Então é uma curva gradativa. Ela não consegue ser da noite para o dia. Da noite para o dia, a gente poderia parar de estocar a lama como a gente estoca. Passar a ter um rejeito drenado, temporário, para diminuir a carga das barragens. Porque nós estamos com cargas extremamente altas”, diz o Professor do Departamento de Engenharia de Minas.
Fonte: G1.

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